Belo livro de Joseph Jacotot

Lengua Materna, Enseñanza Universal

“Todas as inteligências são iguais”. “Pode-se ensinar o que se ignora”. “As explicações entontecem”. “É preciso querer o possível”.  “Qualquer pessoa pode tudo que quer”. “Nunca é a inteligência o que falta, mas a vontade.”

Um evento datado, 1818, arrastou Jacotot para o ponto de vista da igualdade das inteligências. Esta opinião, tão sustentável quanto o oposto, funcionou a partir daí como hipótese a ser verificada. Hipótese-festejo.

Era um tempo  de fundação. A “alvorada das pedagogias” se erigia como um dos resultados palpáveis da “revolução”, porém esta aurora cheia de promessas se sustentava na opinião da desigualdade das inteligências, na lamentável separação entre sábios e ignorantes. Hipótese-lamento.

Nada é verdadeiro. Trata-se apenas de ver o que é a vida em cada hipótese.

Jacotot comprova que a experiência da emancipação se fez sempre. A língua materna é o indicador. Diz Ranciére… o ser que se supõe virgem, ao qual o professor se propõe a dar os primeiros passos do saber, já começou há muito a aprender. É por isso que a questão da “língua materna” está no coração da relação entre tirania e emancipação. De fato, toda pessoa tem feito esta experiência mil vezes e, todavia, ninguém pensou em dizer a outra pessoa que também podia se emancipar. Esta é a boa nova a difundir.

Porém essa boa nova não tem futuro na sociedade. Não é razoável e, portanto, deve irracionalizar o mais racionalmente possível. O indivíduo é livre, a espécie não. A sociedade é a explicação que nos governa: este gigantesco sistema de explicações trabalha sem trégua para nos separar do que vemos e do que fazemos.

Mas, a reversão dessa situação não deve ser empurrada para o futuro, para utopias esperançosas que perpetuam a dominação presente. Esta exigência não é um assunto do passado (…) o tempo de Jacotot é atual como é atual o combate, a todo instante renovado, entre as duas lógicas. Então, a predição de Jacotot foi precisa. Era preciso escolher entre duas idéias de igualdade: a que se remete para o futuro como uma meta a alcançar e a que afirma aqui e agora como uma pressuposição a verificar.

Como diz Jacotot, acontece por acaso perceber isso, mas publicá-lo é uma boa notícia.

Este livro você encontra na Estante Virtual.

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