O duro trabalho nas caieiras

Fotos: Arquivo Boca do Mangue

O óxido de cálcio (também conhecido como cal) é uma substância utilizada na indústria da construção civil para elaboração das argamassas com que se erguem as paredes e muros e também na pintura, a cal também tem emprego na indústria cerâmica, siderúrgicas (obtenção do ferro) e farmacêutica como agente branqueador ou desodorizador. O óxido de cálcio é usado para produzir hidróxido de cálcio, na agricultura para o controle de acidez dos solos, e na metalurgia extrativa para produzir escória contendo as impurezas (especialmente areia) presentes nos minérios de metais.

O calcário, depois de extraído, selecionado e moído, é submetido a elevadas temperaturas em fornos industriais num processo conhecido como calcinação, que dá origem ao CaO (óxido de cálcio: cal) e CO2 (gás carbônico).

Para essa reação ocorrer à temperatura do forno da caieira (indústria produtora de cal) deve ser de, no mínimo, 850 °C, mas a eficiência total da calcinação se dá à temperatura de 900 a 1000 °C. Essa temperatura é garantida pela queima de um combustível, que pode ser: lenha (gasogênio), óleo combustível, gás natural, gás de coqueira, carvão e material reciclado.

A indústria do cal em Governador Dix-Sept Rosado

Governador Dix-Sept Rosado é um município localizado na microrregião da Chapada do Apodi, no semi-árido do RN, com população de cerca de 13 mil habitantes. Possui cerca de 75 caieiras (fornos de produção de cal), 18 destas localizadas dentro da área urbana do município.

A produção da cal é a maior fonte de geração de emprego e renda do município. A extração de calcários/mármores é realizada de forma rudimentar e sem infra-estrutura técnica, desde a fase inicial até a calcinação, que também é feita de forma artesanal, em caieiras simples. Os fornos são construídos artesanalmente e, a informação, é que não são legalmente registrados como empresas, funcionando na informalidade e em condições de trabalho insalubres, muito precárias.

A lenha é o principal combustível utilizado, como também pneus, borrachas e casca de castanhas de caju. Estima-se que, para cada forno de cal, são queimadas 40 carradas de lenha por mês. Tentativas já houveram de queimar com gás natural, mas o custo fica alto e inviabiliza a produção. A extração do calcário se dá de forma desorganizada provocando o desmatamento e a degradação do solo, contribuindo para agravar o já acentuado processo de desertificação da região, apesar das tentativas de controle dos órgãos ambientais e do Ministério Público.

Além disso, outro fator que agrava a situação é a fumaça e a poeira produzida. Moradores afirmam que, durante certas noites, a impressão que se tem ao mirar o céu é de que está nevando. Ao mesmo tempo, afirmam: “se fecharem as caieiras, não temos de que viver”.

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